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O som persistente da campainha reverberou no ar fresco do verão, chamando todos os campistas para uma contagem de emergência.
Eu os observava, curiosa e perplexa.
Meu trabalho diário era fazer o registro dos campistas em seus vários centros de atividades e localizar os que estivessem “perdidos”.
O pequeno Christopher não tinha aparecido para sua aula de canoagem. Verificamos as outras aulas, as cabines e os banheiros. Perguntamos a todos que tínhamos visto, mas ninguém sabia do seu paradeiro. Eu estava apavorada.
Christopher não era um menino comum, ele tinha necessidades especiais e graves problemas de comunicação. Como poderíamos saber o que se passava em sua mente? Naquele momento, Rolly chegou com o caminhão da fazenda.
Eles tinham ouvido o barulho nos estábulos e se perguntaram o que estava acontecendo. Eu entrei na caminhonete e o orientei a ir para a colina que levava à água. Alguém pensou que poderia ter visto o Christopher naquela área. A caminhonete subiu a colina e, diante de nós, havia um grande campo aberto, a área de natação e a floresta.
Conselheiros e funcionários se espalhavam para vasculhar cada centímetro quadrado da área. Fiz uma oração infantil para que Deus o guardasse, mas eu me sentia como alguém que precisava dos cuidados de um pai. De repente, percebi um movimento pelo canto do olho. Eu me virei para encarar a floresta e tive certeza de que vi um pequeno vulto se escondendo atrás de uma árvore. Rolly saiu da caminhonete num piscar de olhos.
– Não o assuste – gritei. Não precisava ter me preocupado.
Quando Rolly o pegou e colocou o pequeno e trêmulo companheiro em meus braços, os outros já estavam sendo alertados sobre o reencontro.
Meu medo se transformou em preocupação e pena.
As respostas gaguejantes de Christopher nos mostraram que ele estava com medo da canoa. Quem poderia adivinhar? No dia anterior ele tinha saído para dar uma volta, rido e se divertido bastante. Provavelmente nunca teríamos descoberto seu medo.
Meus pensamentos se voltaram para a parábola bíblica sobre a ovelha perdida. Durante toda a noite, o pastor procurou no frio e na tempestade até que a única ovelha perdida estivesse em segurança de volta ao aprisco.
Ao segurar o pequeno Christopher no colo naquele dia, entendi melhor como o Bom Pastor se sentiu ao colocar aquele cordeirinho em segurança novamente ao lado de sua mãe.